Nem esquerda, nem direita, o fiel da balança é o centro

Em meio à situação social que vivenciamos hoje, em busca de legitimidade e igualdade para a maioria da população brasileira, vemos outro grande debate ainda acirrado. Este, no entanto, vem ocorrendo em uma temperatura elevada já faz um bom tempo, não ganhou notoriedade apenas agora.

O embate entre esquerda e direita vai muito além do que a maioria da população imagina. Grande parte não sabe diferenciar as linhas de pensamento sobre o eixo econômico, civil e diplomático da discussão, e essa antiga discussão acaba virando um grande bolo de “roda de bar” sobre em que lado da balança você está – e ai de você se não se posicionar rápido, em 30 segundos, sobre um tema que há anos vem sendo debatido e estudado, capaz de te chamarem de “isentão”, como se isso fosse um insulto.

A ideia não é transformar este espaço semanal em mais uma munição para essa discussão boêmia, mesmo que hoje ela esteja presente em grande parte dos lares brasileiros. A verdade é que, enquanto defensores de ambos os lados se digladiam na internet, eles não percebem o que realmente importa.

Quando o atual presidente Jair Bolsonaro começou a despontar nas pesquisas eleitorais em 2018, uma das preocupações dos investidores e empresários, na época, era a forte defesa de esquecer a política do “toma lá, dá cá”, ou seja, distribuir cargos, liberar emendas e orçamento para membros de outros partidos que não estivessem aliados à filosofia do até então candidato. Assim, o ato de fazer política no Brasil estava sendo carimbado diretamente como corrupção.

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Nessa época, os investidores mantinham certo receio em relação a Bolsonaro, afinal, como ele iria conquistar o apoio necessário dos deputados e senadores para manter a governabilidade se não colocasse em prática o ato de fazer política?

Esses temores foram deixados de lado por um momento, no início do mandato. Com apoio popular, o governo conseguiu emplacar uma das reformas mais importantes para a sustentabilidade fiscal do país, a da Previdência, e o mercado se animou.

Com o passar do tempo, e pouco a pouco perdendo o apoio popular – o que, diga-se de passagem, é normal –, o governo começou efetivamente a acenar para o famoso Centrão, o grupo de partidos que tem maioria de representantes na Câmara dos Deputados e no Senado, e que constantemente vinha sendo atacado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Com a crise causada pela Covid-19, além de outros entraves políticos no meio do caminho, com a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a desaprovação do atual governo subiu, e muito.

Nesse ponto, os investidores e analistas mais atentos perceberam o que seria inevitável. O governo teria duas opções: lutar mais fortemente para manter o apoio do Congresso ou observar uma queda na aprovação também por parte dos parlamentares.

O governo optou pela primeira opção e acelerou uma aproximação ao Centrão, com a intensificação da distribuição de cargos em secretarias e empresas controladas pelo governo federal.

Esse caminho, além de blindar o governo, aumenta a sua governabilidade e facilita a aprovação de medidas requeridas para retomarmos a trajetória de crescimento sustentável. Agora, basta saber se essa é a intenção de todos em Brasília.

Enquanto a população se digladia em ambientes virtuais, não percebe que o poder de fazer o país sair do atoleiro não está com a esquerda nem com a direita, mas, sim, nas mãos do centro. E posso te contar algo? Isso não é algo necessariamente ruim.

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